sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Temporada do veleiro Xekmat em SC

Temporada do Veleiro Xekmat em Santa Catarina - Maio de 2023 a setembro de 2024


Em 2022 eu finalmente encarei a já então antiga necessidade de abertura da fábrica da BAILLY industrial em SC. Digo necessidade pois os fabricantes de barcos, principalmente os de lanchas, principal foco comercial de nossa empresa, já estavam há tempo concentrados nesse estado. Ou isso, ou isso!


Daí, em janeiro de 2023 iniciei as atividades da filial em Palhoça, na grande Florianópolis. Uma rotina pesada e a primeira capota “made in” BAILLY - SC foi faturada logo no mês seguinte, em fevereiro.


Longe do barco

Barco pra mim é uma fonte de alegria e prazer inesgotável. Velejar é a melhor maneira de recarregar minhas baterias para o dia a dia.  

Por sorte, neste primeiro período sem o Xekmat por perto, meu amigo Guilherme Rupp me acolheu na tripulação do veleiro Campeche. Mas nem sempre havia regata e os finais de semana solitários em terra foram minando minha energia. Precisava do meu barco por perto!


Durante esse período também procurei onde deixar o Xekmat. A região de Florianópolis é cheia de enseadas e pequenas marinas, mas a maioria não dispõe de estrutura e, principalmente, profundidade para o calado de 1,95 metros do Xekmat. Deixar o barco numa poita dessas de praia estava fora de cogitação. O investimento necessário para entrar de sócio do ICSC descartou essa possibilidade. A escolha foi pela Marina Itajaí.


Finalmente, em maio de 2023, com a inestimável ajuda de meu amigo Riquinha, trouxe meu brinquedo para Itajaí. Uffa!


4 maio 23


Depois de 68 horas de navegação tranquila e calma chegamos no dia 6 de maio de 2023 às 4 horas da manhã. Para nossa surpresa, havia auxílio de pessoal em terra para atracação e sala de rádio funcionando naquela hora da madrugada! Não que fosse necessário, pois os píeres flutuantes em águas super abrigadas e forrados de espuma de EVA não exigem nenhuma habilidade marinheira ou ajuda para atracação. Começou aí meu encantamento pela Marina.


Marina Itajaí - Escolha acertada.

A escolha pela Marina Itajaí foi acertada. A Marina é um luxo! O slogan “onde o mar encontra a sofisticação” faz jus ao empreendimento. 



O conforto da Marina não fica só na estrutura náutica, mas também no pessoal prestativo, educado e bem treinado que presta um excelente serviço.

A localização é espetacular, dentro da cidade, ao lado de tudo e principalmente da orla gastronômica de Itajaí que tem ótimos restaurantes.


Daí em diante minha vida melhorou bastante. Durante a semana ficava na expectativa de me mudar para o barco no final de semana, planejando a próxima velejada. 


Longe e perto

A Marina fica a quase 100Km, ou a uma hora e pouco de Palhoça, onde havia estabelecido a fábrica e alugado um apartamento. Perto o suficiente para não deixar de ir pro barco e longe o bastante para não querer voltar para casa no mesmo dia. Os passeios também: Porto Belo, o lugar mais frequentado, fica a 17 milhas náuticas da Marina. Também é longe para ir e voltar no mesmo dia. Melhor dormir por lá mesmo no barco. E foi o que eu fiz repetidamente por várias vezes. No frio ou no calor, na chuva ou no sol, com pouco vento ou muito vento. Pouco importou.











11 jun 23


O vento sul as vezes entra forte. O nordeste também.

Recebi algumas poucas visitas no primeiro inverno. Renato Avelar foi um amigo que veio passar um final de semana no frio.



15 julho 23


Tiago veio de avião militar e passou 9 dias comigo. Destes, 7 no barco.

Tiago com a cadelinha Pipoca


Na Marina Itajaí cultivei novos amigos. No Delta 36’ “Horizontes” do casal Estela e Wandér sempre era servido o melhor caldinho de garoupa do mundo.




Tiago e eu ficamos velejando de um lado para outro, indo até mais ao sul na cidade de Governador Celso Ramos, enseada dos Ganchos, Praia dos Calheiros. O passeio foi diferente para nós devido ao frio intenso daqueles dias. Estava gelado pra dizer a verdade!






9 set 2023


Nem a chuva e o frio me fizeram desistir das velejadas! Ana Cláudia entrou na dança e com garra enfrentou o desafio do frio.



Em Porto Belo


Outra comodidade da Marina Itajaí é a proximidade do mercado de peixe. Na cozinha do Xekmat preparamos deliciosos pratos de frutos do mar adquiridos “logo ali”.




2 dez 23 Ilha do Arvoredo.



Quem for de barco para Florianópolis não pode deixar de conhecer a Ilha do Arvoredo.


Na primeira vez que eu fui na Ilha do Arvoredo eu fui sozinho. O nordeste soprava com força. Mais de 20 nós. Quando cheguei na ilha, já sabendo mais ou menos onde ancorar, baixei as velas e fui motorando procurando o melhor lugar para passar a noite. Tinha um barco de pesca e uma lancha bem no canto. Ambos bem grandes, tipo 60 pés. Achei que o tal canto fosse um bom lugar e joguei o ferro. Mas o lugar não era bom. O vento vinha de cima, descendo pela encosta da ilha e o barco girava de um lado para o outro. Logo a lancha foi embora. Na sequência o barco de pesca. Foi a motivação que faltava para eu levantar a âncora e sair fora dali também. 




Já na outra vez que fui pra lá, fundeei um pouco mais longe da ilha onde o vento é constante na mesma direção. O vento também era forte (não tão forte) de nordeste, mas naquele novo local o vento que contorna a ilha é o que predomina. E esse é constante na mesma direção, o que torna o fundeio mais seguro e confortável. Desta vez pude dormir por 3 noites tranquilas e também pude mergulhar explorando o local com risco reduzido de correr o ferro.


Muitas vezes de vela rizada.


Carnaval na Ilha do Arvoredo.


Achei a Ilha do Arvoredo o lugar mais bacana.



Carnaval 2024 - O veleiro Campeche com Juliana e Guilherme na Ilha do Arvoredo 



O período de Carnaval não é feriado em SC. Vida normal! Mas como estou acostumado

com o ritmo de trabalho do RJ sai para velejar com o Xekmat por uns dias como

se feriado fosse. Fiquei na adorável companhia do Casal Juliana e Guilherme do

veleiro Campeche. Nos encontramos na Ilha do Arvoredo e lá ficamos curtindo

por 3 dias. A cozinha do Campeche é de primeira linha e todo fim de tarde eu

fui convidado para me deliciar com as refeições preparadas pelo casal.


Na tarde de terça feira (ou seria segunda?) fomos para um lugar chamado Canto

Grande, na enseada de Zimbros. Fundeamos os barcos bem pertos um do outro

no lado direito da praia, bem no limite de onde os barcos de lá ficam apoitados e

também no limite de calado dos nossos barcos. Ficava um pouco longe da praia.

O vento nordeste vinha da praia e conseguia levantar umas marolas. As marolas

eram pequenas para atrapalhar o fundeio, mas suficientemente grandes para uma

aventura que se seguiu: Fomos para a praia, nós 3 no bote de apoio minúsculo

do Campeche. Naquele bote mal cabem 2 pessoas, mas lá fomos nós 3, com motor

de popa e tudo. Juliana com as bolsa na mão para não molhar e Guilherme

manobrando com muita calma e habilidade por entre as boias do cultivo de mariscos

até a praia. 

É muita vontade de encontrar um bar!!! 

A cada onda entrava um gole de água até que chegamos mais perto da praia e o mar

ficou liso o suficiente para não afundarmos de vez. Sucesso!

Na volta a favor do vento foi mais fácil apesar da carga embarcada ter aumentado

com o peso das cervejas que bebemos e das garrafas de vinho extras compradas

no mercado local.

 

Dormimos por lá mesmo e no dia seguinte o café da manhã foi a única refeição

de todo o passeio servida no Xekmat. Juliana, muito educada, elogiou o pão

de queijo servido sem guardanapos e o café solúvel sem açúcar.

Com a previsão de vento sul forte para o início da noite dequele dia fomos para a Marina Itajaí.

No caminho resolvemos fundear para almoçar na praia de Laranjeiras, na frente

de Balneário Camboriú.

Eu não estava nada confortável em deixar o Xekmat e ir nadando para o Campeche

naquela calmaria, com o barômetro lá embaixo e aquele calor. O vento sul poderia

entrar a qualquer minuto. E foi o que aconteceu!

Entrou uma chinelada violenta! Levantar o ferro foi difícil. Mas daí foi só subir a buja e ir

em disparada para a Marina. O Campeche chegou logo depois e ainda tivemos a

oportunidade de mais uma super refeição a bordo, apesar do fácil acesso aos inúmeros

restaurantes de Itajaí. Pois eu digo que a cozinha do Campeche é melhor

do que a de qualquer restaurante!




2 março 24


Foram vários passeios: Praia do Trapiche em Penha, Praia das Laranjeiras em Balneário Camboriú, Ilha de Porto Belo, Praia de Porto Belo, Praia do Araçá, Caixa D’aço. Praia da Sepultura em Bombinhas. Canto Grande e Praia de Zimbros. Praia dos Calheiros em Ganchos. Ilha do Arvoredo. Destes abrigos só não pernoitei em Laranjeiras.


Caixa D’aço - Um paraíso depois das 18 horas.

Caixa D’aço é um ótimo abrigo. Porém, até às 1800 horas é um horror! Um amontoado de lanchas, cada uma com um som mais poderoso que o outro, tocando muito alto a pior espécie de música. Se é que dá pra chamar aquilo de música! Uma do lado da outra, mas cada uma reproduzindo seu próprio repertório de sertanejo vulgar, eletrônica, bate bum, sei lá o que… Como numa competição de mal gosto. 

Exatamente às 1800 horas um bote de fiscalização, como um toque de mágica, silencia o local. A multa deve ser muito pesada, pois no início da noite já se ouve o burburinho do bairro em terra, os sinos da igreja… incrível! Pela manhã a paz reina e o som dos passarinhos é mais alto a se escutar. 

Assim que eu aprendi isso, ficava velejando até mais tarde ou ancorado provisoriamente em outro local até depois das 18. Mas antes sofri bastante tentando dormir alí perto em Porto Belo, na Ilha ou na praia. É que as lanchas saem de Caixa D’aço e continuam a bagunça em outro canto, principalmente perto da Ilha de Porto Belo.


Porto Belo


Páscoa 2024 - Canto Grande


No feriado de Páscoa nos juntamos ao veleiro Campeche em Canto Grande novamente.

Mas desta vez Ana Cláudia estava comigo.

No caminho, quando passávamos por dentro da Ilha do Amendoim, pescamos um

Xerelete e uma Sororoca de bom tamanho que foram preparadas na churrasqueira

do Xekmat. Ficamos fundeados no meio da praia mais perto da areia do que durante

o Carnaval.

No dia seguinte fomos em terra. Desta vez tínhamos o bote do Xekmat, bem maior

do que o da aventura entre as marisqueiras de Canto Grande. O bar estava mais longe

e tivemos que caminhar metade da praia para chegar. Uma caminhada gostosa e

descontraída enquanto conversávamos sobre variados assuntos.

Muitas garrafas de vinho, cada hora num barco, foram degustadas em excelente

companhia nos poucos dias enfeitados por pores de sol lindíssimos na Baía das Tijucas.



20 abril 24, Penha


Fui algumas vezes à cidade de Penha. Fundeava entre os barcos de pesca pequenos e os grandes na Praia do Trapiche. A praia é rasa e tem muita pedra na enseada. Partindo de Itajaí a velejada até lá é curta. Quando o vento sopra de sul ou sueste é mais fácil e rápido ir para lá, que fica pro norte em relação a Itajaí, do que de contra vento para para os lados de Porto Belo. O abrigo é bom com vento no quadrante sul. 

Passava o dia boiando,  lendo, curtindo, cozinhando… repondo as baterias. Uma maravilha!

Numa das vezes fui acompanhado de Ana Cláudia: O vento era de leste fraco. No fim da tarde virou para nordeste e as ondas sacudiram o barco com toda força. Impossível dormir! Mesmo deitados de bruços nos beliches ficamos escorregando nos lençois. Uma tortura. Mas a velejada de volta compensou. Em parte.




As regatas


Inicialmente não tinha a intenção de correr regatas no Xekmat em SC. O barco estava equipado para cruzeiro: Velas surradas de travessia, balsa, bimini, toldo e sempre abastecido de água, diesel, mantimentos.

Também não tinha uma equipe, tripulantes com quem pudesse contar.


Mas em novembro de 2023, numa sexta feira quando Ana Claudia e eu estávamos chegando no barco, já a noite, preparados para mais um passeio de final de semana, fomos convidados pelo amigo Nuno para uma regata em Porto Belo. O Nuno tem o “Blade Runner”, um barco do mesmo modelo do Xekmat. Agradeci o convite e a princípio recusei. Ele insistiu: 

- Se inscreva na regata e participe da confraternização que vai ser boa! 

E assim fizemos! 

Mas ao invés de só participar do almoço, largamos na regata contra outros 40 barcos. Resultado: fomos o segundo barco a cruzar a linha de chegada, só atrás do S40 “Itajaí Sailing team”. Comemoramos o feito até tarde na Ilha de Porto Belo (que na verdade se chama Ilha João da Cunha). 


Daí em diante, em 2024, participamos do Circuito Marina Itajaí, ganhando todas as regatas que corremos na categoria bico de proa. 

O grande prêmio foram as velejadas entre um número expressivo de participantes, sempre num clima amistoso, de camaradagem e alegria. Aproveitei cada minuto!



Uma dessas regatas foi destaque o tripulante arranjado de última hora




Minha tripulante oficial Ana Cláudia estava em Niterói, daí eu escolhi correr em solitario. Mas "consegui" nos últimos minutos antes de zarpar um tripulante safo e que sabia velejar.


Meu tripulante veio de carona para Itajaí no veleiro “Santa Fé” de Joinville.  Poucos minutos antes de eu ir para a raia, um dos tripulantes do Santa Fé me perguntou:

- pode embarcar esse cara? Se entende com ele aí! 

Não foi fácil!

Tobi é austríaco. Fala um pouco de portugues e um bom Inglês, mas não conhecia em nenhuma destas línguas os termos técnicos necessários para uma regata em dupla.

Na hora das manobras a falta de comunicação prejudicou, mas o esforço superou as falhas e chegamos em primeiro lugar. 


No dia seguinte dei uma carona de carro para ele até a entrada de Florianópolis. No caminho vim  escutando as histórias.

Ele tinha 21 anos. Há dois estava viajando de mochila nas costas e de carona. Só paga passagem às vezes quando pega ônibus para se deslocar dentro das cidades.

Saiu de casa na Áustria para viajar de carona por uns 2 meses quando na Áustria ainda estava tudo fechado por conta da covid.

Tem uma mochila grande e uma pequena.  Pouca coisa.  Uma barraca de camping.  Acampa principalmente nos postos de combustível onde busca uma oportunidade de carona. 

Em Portugal acampou perto de uma grande marina pedindo carona para atravessar o Atlântico e lá roubaram a mochila grande com tudo. Só ficou com a roupa que estava vestindo, uma toalha, o telefone e uma garrafa de vinho. 

Um amigo lhe doou umas roupas e logo depois ele arrumou a carona pro Caribe num veleiro.

Daí ficou de lá pra cá no Caribe sempre de carona nos veleiros com esses poucos pertences

Do Caribe foi pro México,  Guatemala... Panamá,  Colômbia,  Equador,  Peru,  atravessou a Amazônia... Sempre de carona.  Nenhum avião.  Trabalhou nos barcos da Amazônia,  basicamente carregando carga, em troca da carona.

Da Amazônia foi para Brasília. De Brasília para Ouro Preto, Rio de Janeiro, Londrina,  Curitiba... de Florianópolis pretende ir pra Foz do Iguaçu e de lá pra Argentina.  Talvez Colômbia. 

- Mas, Tobi, Argentina fica para um lado e a Colômbia pro outro! 

- É,  eu sei,  mas eu ainda não decidi...

- E quando pretende voltar para casa? 

- Não sei ainda...

- Tenho 60 anos para decidir.

Fez umas economias para imprevistos antes da viagem e trabalha pra pagar a pouca despesa. Qualquer trabalho,  mas gosta mesmo é de trabalhar nos barcos. 

Muitas vezes faz serviços domésticos tipo cortar grama, faxina.  Não precisa de muito...

Só foi comprar as coisas surrupiadas em Portugal quando chegou no México: Mochila grande e barraca.

Totalmente desprendido de tudo.

- Vai ficar aonde em Florianópolis? 

- Acampado.  Na minha barraca. Não decidi onde, mas acho que um bom lugar é na lagoa da Conceição...

- E teus pais,  o que dizem sobre isso?

- Eles ficam pedindo para eu voltar.

- Digo que voltarei em alguns meses, não sei quantos.

A ideia surgiu quando ele leu um livro que serviu de inspiração de um cara que deu uma volta ao mundo nesse estilo com 50 Euros

Interessante o menino. Gostei de conhecer.  Saiu do carro agradecendo a carona e dizendo que esperava poder velejar comigo novamente. Foi!





Regata Aniversário de Balneário Camboriú.


20 julho 24


Família + barco = felicidade total!


Caio e Tiago vieram passar uns dias conosco em SC. Participamos da regata em homenagem ao aniversário de Balneário Camboriú. Tiago no leme, eu na proa, Caio nas escotas e Ana Cláudia na secretaria. Com essa tripulação o Xekmat disparou na frente!! 

No dia seguinte fomos passear em Porto Belo. No caminho nos afastamos da costa orçando no vento fraco de nordeste e também na tentativa de fisgar um peixe no currico. Quando estávamos no través da ponta das Laranjeiras, em Balneário Camboriú, bem afastados da ponta, escutei um apito. Fiquei de pé no convés e avistei uma canoa. Deve ser o pescador avisando de uma rede - pensei. Mudamos o rumo para cima da canoa tentando entender. O apito era um pedido de socorro. A canoa estava derivando para fora. Com vento de NE a correnteza da água de superfície corre pra fora. Decidimos abaixar as velas e rebocar a canoa para terra. Só tem que o único tripulante da canoa era uma figura esquisita, de dar medo. Daí resolvi chamar por ajuda para ele no rádio VHF, evitando expor minha família a algum perigo. Sei lá se era um bandido! Pescador não parecia ser… Não tinha material de pesca nenhum na canoa que era super precária. Só tinha um remo…

Por fim, todo pedido de ajuda não resultou em ação de ninguém. Assim resolvemos rebocar a canoa. Jogamos um cabo de reboque. O sujeito não sabia dar nó, então passou o cabo por um cabeço na proa da canoa e depois deu umas voltas no banco… Começamos o reboque e o cabo soltou da proa. A canoa quase virou!! Chegou a entrar água! Por sorte estávamos bem devagar e a manete do motor na mão! Pedi então que o coitado - que nessa altura estava visivelmente apavorado, tremendo - sentasse bem na popa da canoa e eu mesmo amarrei o cabo de reboque na proa da canoa. A água estava tão gelada nesse dia de inverno que havia pinguins nadando em volta do barco. Se aquela canoa tivesse virado eu teria que embarcar aquele sujeito esquisito conosco. Depois de mais de meia hora de reboque soltamos o cabo na frente da praia de Laranjeiras e dei ordem para que ele remasse para a areia.


Depois do sufoco fomos a motor para Porto Belo. Passamos uma tarde comendo churrasco na casa da Ana e do Béco Sabino. Depois fomos dormir ancorados em Caixa D’aço. No dia seguinte ainda voltamos em terra em Porto Belo. Foi um dos melhores passeios! 



A melhor regata e o melhor passeio. De brinde extra uma lua cheia!




Traking do Xekmat pelas redondezas



Durante o retorno para Niterói



A saudade dos passeios no RJ, principalmente do nosso habitual fim de ano na Ilha Grande bateu forte. Daí resolvi voltar com o barco para o RYC.

Preferi “subir” antes da chegada do verão quando o vento predominante é contra.


Experimentei também pela primeira vez uma viagem assim mais longa em solitário.

Comprei um pacote do Predict wind por um mês e fiquei com o barco pronto, abastecido, só escolhendo o melhor dia para zarpar.

Assim, em 15/9/24 completei o percurso de 395 milhas náuticas de Itajaí para Niterói sem paradas e em solitário.

66 horas

395 mn

5,9 nós de média de velocidade

135 milhas nas primeiras 24 h

139 nas segundas 24 horas

Últimas 121 milhas nas últimas 18 horas voando a 6,7 nós de média

Pouquíssimo tempo para descansar

1 baleia avistada, um tubarão,  golfinhos e pinguins




Observações sobre este percurso em solitário:

Esse percurso tem muito tráfego.  Não é bom para solitário.


Para estas empreitadas o ideal seria ter: leme de vento com leme auxiliar,  bom piloto automático,  AIS transponder e se possível Internet.

Internet seria bom para complementar as observações locais para tomada de decisões.

Por exemplo:  meu sail planning para a chegada era para vir encostado na restinga da marambaia com vento sudoeste, mas minhas observações de céu, vento, barômetro e temperatura me fizeram optar acertadamente vir afastado com vento leste. Foi o que deu.


Levar bastante diesel é conveniente.

Quando a velocidade baixava de 4 nós eu ajudava com o motor. Também liguei o motor a noite para que as baleias escutassem. Com isso o consumo foi de 50 litros.


Descansar é prioridade!

Dormi nas duas manhãs com o barco velejando devagar com pouca vela e em intervalos pequenos e frequentes noite e dia.


Pude cozinhar, mas levar refeições prontas como sandubas caprichados é fundamental.


Revisar, arrumar tudo e rizar a vela grande antes de anoitecer não é excesso. Ficar procurando a lanterna ou ter que rizar a vela durante a noite, com sono é que não é bom.


Passeei pelo convés com frequência procurando por problemas do tipo manilhas abrindo, nós soltando…


O Predict wind é ótimo, mas é fundamental que a curva polar do barco seja “a do barco”. Cometi este erro inserindo a curva polar de um barco de 30’ genérico. Andei bem mais rápido do que o planejado, resultando em uma noite de contra-vento imprevista. 










O porão do Xekmat.


Fim de passeio!



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